A experiência do encontro com a música
trata-se de algo absolutamente inefável! A Educação Musical, como disciplina,
realiza esta transcendente ponte, levando os seres humanos a uma nova
realidade, um universo de sonhos, ritmos, emoções. No século passado,
possibilitar-se a uma pessoa ou mesmo um grupo de alunos contato com uma
orquestra na Europa, ou assistir a uma “masterclass” com um expoente
estrangeiro, tratava-se de algo praticamente inimaginável (a não ser a pesadas
expensas). Aulas com professores de outras nacionalidades e inclusive épocas
(como assistir um ensaio do famoso e já falecido maestro Sergiu Celibidache com
a Orquestra Filarmônica de Berlim) era algo absolutamente impraticável.
Entretanto, a evolução tecnológica
transformou essas meras cogitações e sonhos em realidade. Por meio da rede
mundial de computadores, tudo isso tornou-se possível e ao alcance mero toque
de dedos.
No século XXI, as distâncias
encolheram. Por meio da internete, milhares de computadores passaram a estar
interligados por meio de uma rede mundial. Romperam-se, assim, os paradigmas de
outrora (inclusive educacionais). Ampliam-se as possibilidades de ensino e
aprendizagem (e os educadores musicais devem estar atentos).
Inicialmente, planejada como ferramenta
de comunicação em caso de guerra nuclear a rede mundial de computadores se
disseminou. Popularizou-se. A “Web”, que inicialmente apenas apresentava
conteúdos às pessoas. Posteriormente, tornou interativa.
A Web 2.0 foi criada em 2004 pela
empresa americana “O' Reilly Media”. Trata-se de um termo inventado para
representar uma segunda geração de comunidades e serviços oferecidos na
internete, fundamentada em aplicativos baseados em redes sociais. Por meio dela
e suas plataformas, houve um melhor aproveitamento da inteligência coletiva.
Segundo os especialistas, não houve mudanças estruturais significativas em
relação à versão anterior da “Web”. O que mudou foi a relação das informações
entre o usuário e o servidor, traçando-se meios para melhor aprimoramento na
medida em que essa relação acontece.
A “Web 2.0” trouxe uma mudança de
paradigma em relação à “Web 1.0” ao incluir a participação dos usuários da
internete, que passaram de consumidores a produtores de conteúdo. Esta mudança
é realmente significativa, pois trata-se de usuários alterando e interagindo
com conteúdos produzidos por outros usuários (diferentemente da “Web 1.0” na
qual usuários apenas viam passivamente os conteúdos das páginas da “Web”).
A nova geração da “Web” (2.0) além de
agilizar o uso de aplicativos, também contempla a participação dos usuários,
utilizando-se de estratégias colaborativas, onde as informações e o
conhecimento são partilhados. Como grande parte dos aplicativos “Web 2.0” só
necessitam de um navegador para serem executados (desde que contenham os
“plug-ins” necessários), a interatividade e compartilhamento são
extraordinariamente facilitados, gerando, assim, essa cultura participativa, em
que o conhecimento é construído coletivamente num fluxo constante.
Ante a este novo contexto participativo
e colaborativo, os usuários passam a construir e gerir com enorme facilidade
uma página pessoal, partilhar e absorver conteúdos “online” em mídias sociais,
discutir assuntos do seu interesse em “blogs”, “chats” ou listas de discussão,
podem criar bases de conhecimento colaborativo ou integrar-se em comunidades de
aprendizagem.
As redes sociais, de forma geral,
contribuíram exponencialmente para a troca de informações, mas a maioria não
tem foco acadêmico, como o “Facebook” e “Watsapp”. Por outro lado, os
aplicativos como o “Moodle”, utilizado no Ensino à Distância, é um bom exemplo
de “webware” que se beneficia da “Web 2.0” e que vem se aprimorando conforme
com a utilização. Há que se considerar ainda os “blogs”, que são sites
apropriados para textos, e além deles, os “fotologs”, apropriados para imagens,
e “videologs”, apropriados para vídeos.
A partir daí, um amplo campo se abre
para a educação musical, a começar pelo que Silvia Bechara (2015) chama de
Educação Musical 2.0, em seu trabalho “Jovens estudantes de música na
cibercultura musical”. Vejamos:
"Quando falo em Educação Musical
2.0, me refiro a estas características da web 2.0, pois o estudante também é
criador do conteúdo musical que posta em seu Facebook, ao compartilhar um vídeo
de um instrumento exótico, ou ao postar um vídeo de sua performance fazendo
música de autoria própria, ou ainda fazendo uma versão de uma trilha de anime.
A partir do momento da criação desse conteúdo, cria-se um espaço para
discussão, podendo ser um local de troca de informações musicais."
Esta autora identificou 4 tipos
principais de enfoque de pesquisa com relação à educação musical e mídias
sociais: as que investigam as comunidades “online”; as que tratam da relação
dos indivíduos com dispositivos móveis de escuta musical; música nas mídias
sociais – “Orkut”, “Facebook” e “YouTube”, principalmente; e as que se dedicam
a consideração acerca do comportamento frente às “TICs”.
De uma forma geral, Bechara relata
estudos que mostram que as comunidades “online” propiciam um ambiente de troca
de informações sobre música, contribuindo para a construção de conhecimento
musical, e destacam as mídias sociais como um espaço onde se estabelecem novas
relações com a música, atentando para a necessidade de se discutir o assunto
entre os educadores musicais, visando a reflexão de práticas pedagógicas mais
relacionadas com a contemporaneidade.
A autora cita ainda Gohn, para
quem “As mídias sociais podem ser um recurso interessante para a
socialização entre alunos e professores, além de servir como ferramenta de
divulgação do material de aula, facilitando o acesso a repertórios, partituras
ou apostilas”. Entretanto, Gohn alerta que “é importante
filtrar o universo que existe nas redes eletrônicas e indicar boas fontes para
estudo, e esse papel é primordialmente do professor.” (GOHN, no prelo
a, p. 11). Entendemos na necessidade do professor ficar ligado nas novidades
virtuais.
Há anos atrás, o ensino a distância era
realizado via correio para níveis de educação básica e técnico. Hoje, com o uso
da tecnologia e a “Web 2.0”, o ensino a distância se propagou alcançando o
ensino superior e a pós-graduação, (apresentando-se não somente em nível de
bacharelado ou licenciatura, mas, igualmente, em pós-graduações à distância,
cursos de extensão universitária, especializações, MBAs, mestrados e doutorados
entre tantas possibilidades). Assim, por meio de plataformas “online”,
universidades e instituições conseguem alcançar uma quantidade muito maior de
pessoas interessada em ganhar conhecimento. Por outro ângulo, abarcando um
mercado consumidor de ensino muito maior, praticamente infinito (incluindo
pessoas antes impossibilitadas de acesso a estes, haja vista impossibilidades
físicas: como no caso de deficientes, ou, em lugares afastados dos centros
urbanos, mas servidos pela rede mundial de computadores e até a terceira idade
– com pessoas que voltam aos bancos escolares virtuais em busca de uma nova
graduação ou pós-graduação via da EaD (e um novo motivo de inspiração
para suas vidas). O ensino da Música, da mesma forma, não se fez exceção.
No século passado, a poucas décadas,
tinha-se a ideia de que para se aprender e ensinar música era necessário que um
professor sempre estivesse ao lado do aluno durante as aulas para que este
pudesse desenvolver o seu conhecimento. Entretanto, hoje este conceito foi
superado. Apesar da distância física, via internete conseguiu-se aprimorar o
ensino da música. Não se faz mais necessário o contato presencial entre aluno e
professor em sala de aula para se obter o aprendizado de qualidade. Por meio
dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem - AVA - é possível a obtenção de
aulas de qualidade equivalente, senão superior as tradicionais. Dessa forma, o
ensino musical pode ser feito à distância, por meio de plataformas de ensino,
vídeos, “blogs”, baseados em espaços virtuais, criados com fundamento na
colaboratividade da criação do conhecimento e na inteligência coletiva dos
participantes.
O ensino virtual de aprendizagem, via
rede mundial de computadores -“Moodle”, o “WEbCT” e o “Teleduc”, eficaz como o
convencional. Assim, ganham professores e alunos, pois há muito mais
versatilidade de horários, com atividades síncronas e assíncronas (documentadas
por meios dados seguros – que realmente aferem se o aluno compareceu às
atividades em determinado período de tempo), bem como, se amplia de forma
exponencial o acesso as fontes de conhecimento (que já não precisam mais estar
dentro de uma sala de aula física, mas podem se localizar em um computador em
qualquer lugar do mundo, desde que conectado à rede mundial). Ante tal situação
fática, é possível acessar conhecimentos que eram impossíveis de serem trazidos
para a sala de aula física, presencial ou mesmo trazermos aulas especiais com
professores em qualquer lugar do mundo ou de outras épocas (até mesmo já
falecidos) bastam que estejam gravadas suas aulas e disponíveis em um
computador conectado à rede mundial.
Essa revolução, oriunda de uma
crescente e constante evolução cibernética, nos mostra a complexidade da
sociedade contemporânea, com maior acessibilidade à rede e com a velocidade de
acesso a novos conhecimentos. O avanço das tecnologias de comunicação e
informação, estabelecendo uma nova ordem para o modelo educacional vigente e
sua prática tecnológico-pedagógica, não só pela influência deste cenário sobre
a prática docente e a discente, mas também, pelo que isso pode significar em
termos de resultados concretos para a melhoria da qualidade no processo
ensino-aprendizagem e seus reflexos no cotidiano do aluno, fator este que deve
ser de melhoria na educação e na qualidade de vida de uma população.
Para Moran (2007, fls. 145-146): “Estamos
caminhando para um conjunto de situações de educação on-line plenamente
audiovisuais. Caminhamos para processos de comunicação audiovisual, com
possibilidade de forte interação, integrando o que de melhor conhecemos da
televisão (qualidade da imagem, som, contar histórias, mostrar ao vivo), com o
melhor da Internet (acesso a bancos de dados, pesquisa individual e grupal,
desenvolvimento de projetos em conjunto, à distância, apresentação de
resultados) e do celular (mobilidade).”
A “Web 2.0”, como plataforma digital,
possui ainda um grande potencial do ponto de vista da gestão de ensino,
destacando funcionalidades que facilitam e articulam ações pedagógicas de
gestão tais como: gestão da aprendizagem, gestão de resultados (indicadores e
gráficos), gestão de acessos e controle de frequência virtual, gestão de
atividades e entregas, etc. No campo da comunicação, articula multimeios,
informações e ações docentes, otimizando o processo comunicacional, vinculado à
gestão de ensino.
Com a revolução dos ambientes virtuais
de aprendizagem, empenho de docentes e discentes, a presença física em sala de
aula torna-se um “plus” educacional, não se fazendo condição imprescindível.
Assim, as possibilidades de expansão do conhecimento se dinamizam, as
experiências se enriquecem e o ambiente virtual de aprendizagem entra para o
mundo da Educação Musical triunfalmente, de forma irreversível e absolutamente
definitiva.
Autores:
Bruna Fernanda Rodrigues Cabrini
Juliana da Silva Eleotério
Genival de Souza Oliveira Júnior
Márcio trovão dos Santos
Paulo Roberto Coelho
Ricardo Nascimento de Oliveira
REFERÊNCIAS:
AMOROSO, Danilo, O que é Web
2.0?; Tecnomundo. 21 ago. 2008. Disponível em:
<https://www.tecmundo.com.br/web/183-o-que-e-web-2-0-.htm> Acesso em:
01 nov. 2017;
BECHARA, SILVIA R.de C. CORRÊA. Jovens
estudantes de música na cibercultura musical: facebook e Educação Musical
2.0. Dissertação de Mestrado, Unesp:2015;
GOHN, Daniel M., A segunda fase
da vivência tecnológica. IN: SANTIAGO, Glauber (org.) Uso de recursos
tecnológicos no ensino musical. São Carlos: EdUFSCar/SEaD, no prelo a. 368 p.;