sábado, 14 de outubro de 2017

O Papel da Inclusão Digital e a Educação

Para muitas pessoas, o acesso à educação não é algo tão simples quanto se possa imaginar a princípio. Dificilmente saberemos de alguém que nunca tenha tido o desejo de se formar e possuir um diploma reconhecido, ou ter uma profissão que necessite de certo grau de estudos. Contudo, muitos não conseguem, seja por dificuldades financeiras, de acessibilidade, de oportunidade, ou de uma série de obstáculos que podem se apresentar a quem busca uma formação.
No Brasil, parece houve certa evolução nesse sentido. Atualmente mais pessoas estão sendo alfabetizadas do que nos séculos anteriores, e muitas outras estão alcançando o ensino superior. Essa melhora se deve em grande parte a determinadas mudanças que ocorreram no cenário da educação. Entre essas mudanças podemos ressaltar a implantação de políticas pedagógicas, como as voltadas para a educação de jovens e adultos (EJA), ao surgimento da Educação a Distância (EaD) e também á utilização de novas tecnologias, que facilitaram muito o acesso à informação e melhoraram os canais de comunicação.
É de conhecimento geral que uma grande transformação vem acontecendo na sociedade devido às revoluções tecnológicas dos últimos tempos. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) trouxeram uma série de “ferramentas” que, entre outras coisas, permitiram um grande aumento na produção de conhecimentos. As instituições de ensino tiveram que se adaptar à nova situação, passando por muitas mudanças, principalmente na modalidade de Educação a Distância.  Complementando essa visão, está o discurso do Professor Moran (2005), que mostra que, principalmente na EaD, grandes transformações ocorrerão em um breve período, sendo as instituições obrigadas a se preparar para o novo paradigma.
Como resultado dos brilhantes recursos trazidos pelas inovações tecnológicas, surgiu a cibercultura, que tem por base um espaço virtual em que são usados computadores ligados em rede para que as pessoas se comuniquem. O surgimento da Internet permitiu a criação desse ciberespaço – termo este criado por William Gibson em 1984. O fato é que a comunicação atrás de um computador permitiu que muitas pessoas que antes não se interagiam pudessem aparecer em pé de igualdade com as outras. Sejam por bloqueios psicológicos, timidez, ou por não poderem estar presentes em um determinado lugar, muitas pessoas deixam de participar em encontros, reuniões, atividades educativas. Essas pessoas encontraram um canal para superar problemas que antes não poderiam resolver, e se beneficiaram ingressando em redes sociais, fazendo pesquisas em bancos de dados virtuais e até obtendo uma formação superior no Ensino a Distância.
O benefício desse espaço virtual é tanto, que hoje quase não se vê uma instituição que não utilize esta tecnologia, ou um estudante que não tenha acesso à Internet através de um smartphone. Esse fato mudou até mesmo a forma com que os educadores se relacionam com os alunos. Essas tecnologias permitiram ao aluno ter mais autonomia no processo de aprendizagem, tornando o papel do professor mais de orientar do que ensinar.
O ciberespaço, contudo, não trás apenas benefícios, ele também tem certos perigos que o usuário não pode deixar de considerar. Como é um espaço onde se tem bastante liberdade, pessoas mal intencionadas ou criminosas podem fazer com que inocentes se tornem de vítimas de crimes. Esta abordagem sobre os aspectos positivos e negativos do uso das TICs se tornou um assunto polêmico. Alguns estudiosos como Zygmunt Bauman (2001), por exemplo, que ressaltam consequências negativas do uso de tanta tecnologia, enquanto outros como Paulo Freire (1984) afirmam que o uso destes recursos é algo muito positivo. Ele se declarava favorável ao avanço da ciência e da tecnologia e enfatizava que o uso da máquina é importante para o homem adquirir maior sabedoria, apenas ressaltava que era importante refletir sobre o uso dessas novidades na Educação.
Seja como for, é importante que haja uma orientação para quem se lança no mundo virtual. Com certa instrução é possível evitar uma série de aborrecimentos, bastando para isso não entrar em sítios desconhecidos, não abrir arquivos estranhos e evitar fornecer dados pessoais a quem não for de confiança.
Mesmo que o acesso a estas tecnologias apresentem alguns pontos negativos, suas contribuições são muito maiores e importantes. Seu papel no processo de inclusão ao conhecimento é fundamental, ainda que existam tantas dificuldades a serem superadas. É claro que a simples existência desses recursos, e o fato do aluno ter um computador em casa não são suficientes para que o problema seja resolvido. A tecnologia é apenas parte do processo de inclusão, sendo imprescindível que os excluídos sejam preparados para usar esses recursos de forma consciente.

REFERÊNCIAS

 

Montanaro, Paulo. Livro Eletrônico “A Inclusão Digital na Sociedade em Rede”. Disponível em: <https://ead2.sead.ufscar.br/mod/book/view.php?id=223984&chapterid=113727>. Acesso em outubro/2017.

MORAN, José Manuel. Tendências da educação online no Brasil. Disponível em: <http://pedagogia-unir.blogspot.com.br/2009/11/tendencias-da-educacao-on-line-no.html> Acesso em outubro/2017.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Disponível em

FREIRE, Paulo. Paulo Freire e a Tecnologia. Disponível em:

 

Olá pessoal. Fiz esse blog para os assuntos relacionados à Educação Musical. Atualmente estou cursando Licenciatura na Universidade Federal de São Carlos e esse blog será usado para muitas atividades do curso, mas não somente para isso. Tendo em vista que sou músico, também aqui farei algumas postagens sobre apresentações musicais que mereçam um olhar mais atento.